Era tudo boato

Hoje li em algum lugar que amanhã Marte estará bem próximo da Terra (bem pertinho de Florianópolis, como diria meu filho). Comentei com meu marido, que deu de ombros e ainda fez chacota do tipo “Nooooooooossa, mesmo?!?!” Sentiram? Pois é.

Mas aí, ao invés de me sentir injuriada com o descaso diante de meu anúncio mega-relevante, parei um pouco para pensar no porquê de eu, afinal de contas, ter dado bolas para a notícia. Entendo que o evento envolvendo nosso vizinho lá de cima seja mesmo algo digno de nota entre os astrônomos, mas para mim, que nem luneta tenho, como vocês bem sabem, o fato de Marte estar um pouquinho mais pra cá deveria ter mesmo importância zero. Ah, mas não tem não.

Sempre que me deparo com notícias do tipo “lá vem Marte”, “Fulano transplantou o pulmão” ou “cientistas isolam bactéria”, caio em deslumbre. Não somente por nossos contemporâneos cabeçudos, mas especialmente por todas as gerações que os antecederam, pelos tataravós da Ciência, aqueles que desenvolviam pesquisas magníficas muito antes do advento da água encanada e do chip. Porque hoje parece fácil saber para que serve uma mitocôndria ou quando o último dinossauro bateu as patas, mas mapear o céu sem Hubble e viver sem geladeira eram mesmo tarefas de titãs.


E aí sempre lembro que me diverti muito lendo Breve História de Quase Tudo, do norte-americano Bill Bryson. Bryson é um sujeito que, por não saber porque os oceanos são salgados, resolveu pesquisar a resposta para essa e outras questões igualmente intrigantes (a relevância fica por conta da curiosidade de quem o lê). Na minha opinião, a curiosidade de Bryson resultou em um tratado na medida para leigos deslumbrados. Fica aqui a dica para o caso de algum andarilho querer meter o bedelho no métier dos acadêmicos. Algumas passagens desse curioso livro fazem pensar:

“A idéia de que se você se desintegrasse, arrancando com uma pinça um átomo de cada vez, produziria um montículo de poeira atômica fina, sem nenhum sinal de vida, mas que constituiria você, é meio sinistra”.

Outras geram “argh” ou “eeeca”:

“Você não dormiria tão tranquilamente se soubesse que seu colchão abriga talvez 2 milhões de ácaros microscópicos, que saem de madrugada para se banquetear com os óleos sebáceos e os adoráveis e crocantes flocos de pele que você perde enquanto dorme. (...) Para os ácaros, sua cabeça não passa de um grande bombom oleoso”.

Mas a leitura vale a pena, nem que seja para descobrir que não saber muito pode ser a forma mais sábia de se garantir um sono tranquilo.

Ah, importante: no final das contas, a notícia não passava de um boato requentado, Marte está beeem longe (deve estar lá por Joinville, como diria meu filho). E, justiça seja feita, eu bem sei que meu respectivo leva em conta tudo o que comento, tadinho. Imagino, cá com meu teclado, que seu dar de ombros tenha algo de revanche. Foi sua chance de se vingar de todos aqueles momentos em que ele, fera da informática, relata algo sobre os bits dos bytes dos logs e eu, sem entender uma única palavra, reajo: “Nooooooossa, mesmo?!?!” Sentiram? Pois é.

3 comentários:

Anônimo disse...

E por que os oceanos são salgados mesmo??
Beijos,
Ju

Ana disse...

Hahaha! Tive q ris pois meu marido tbem eh assim no quesito computadores, ele fala um grego cybernetico comigo as vezes q tudo q eu posso falar eh "nossa hein!"
Agora os acaros.... eeeeca mesmo, yuck! Agora to aqui pensando no q eu posso passar no meu colchao p/ tirar os bichinhos essa noite antes de eu dormir...
Ana

Anônimo disse...

nossa esse livro é bom de mais estou no começo dele

 
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