Mudando de ares


Ontem à noite, folheando meu metidérrimo Cordon Bleu – Todas as Técnicas Culinárias, passei pelo capítulo dos biscoitos e pensei: e por que não? Escolhi uma receita bem simples, para não ter erro e não melar minha noite de sexta (já sei o que vocês estão pensando: “pô, altas noites de sexta, hein?” - alguém aí tem dois filhos pequenos? Sem babá? :-)).

Bem, como eu ia dizendo, fiquei animadíssima com a idéia de oferecer biscoitinhos amanteigados made by myself no café da manhã do sábado para os meus picurruchos e meti a mão na massa. Um pouquito de açúcar aqui, um tantinho de farinha e, naturalmente, um bom tanto de manteiga, mexe, mexe, simples demais. Até me empolguei e adicionei um ingrediente por minha conta, um tiquinho de aveia, que mal faria, hein? Tratei de usar uma forma no tamanho exato do sugerido pela receita, aqueci o forno na temperatura certa, programei o timer conforme indicado. Mal podia conter a empolgação. Seriam meus primeiros biscoitos, e eu estava certa em achar que nunca os esqueceria.

Nada a fazer além de esperar, agarrei-me a um bom pote de iogurte com granola e me juntei ao maridão no sofá para acompanhá-lo na árdua tarefa (mesmo) de assistir um filme pÉssimo que a TV a cabo exibia. Ainda bem que nem lembro o nome do filme para não correr o risco de mencioná-lo aqui.

Trinta e cinco minutos depois, o timer anunciou que era chegada a hora de apreciar minha mais nova aventura culinária. Bem aliviada com o pretexto perfeito para livrar-me daquela agonia cinematográfica, fui à cozinha, abri o forno e não vi mais nada. A fumaça preta que invadiu a cozinha me tirou momentaneamente o fôlego e a visão. Passado o susto, anunciei “queimou completamente” e franzi o cenho enquanto olhava intrigada para dentro do forno tentando entender o que se passava. Era impossível distinguir onde acabava a massa do “biscoito” e começava a parede de teflon da assadeira. Abanei as mãos para afastar a fumaça que ainda rondava meu nariz por ali e retirei do forno, cuidadosamente, aquele tição incompreensível. (Fotos? Sem chance: não tinha flash que desse conta de iluminar aquilo, eheh.)

Não sei ao certo o que aconteceu. Segui a receita, facílima e muito simples, quase à risca – e que ninguém venha culpar a coitada da aveia. Obviamente, pensei, o tempo de forno deve ser muito inferior aos tais trinta e cinco minutos. Seja como for, não havia muito a se fazer, então joguei o que restou da cremação na lata do lixo. O fato é que o Cordon Bleu tem créditos comigo, já que tenho aprendido bastante com ele, razão pela qual vou tentar fingir que nunca vi essa receita. Porque hoje à tarde, não me dando por vencida, decidi tentar outra vez, diminuindo o tempo e a temperatura e montando guarda na cozinha. Mas a cena de ontem à noite só não se repetiu porque resolvi retirar a gororoba do forno antes que ela virasse carvão outra vez. As bordas assam, tostam, enquanto o centro segue mole, mole. Ah, não, chega de jogar manteiga no lixo, vou comprar biscoitos amanteigados no supermercado, como todo mundo.

Meu marido, especialista em ver o lado bom das coisas, disse-me que ninguém é um cozinheiro de verdade até destruir uma receita. Bom, sendo assim, sou cozinheira há muito tempo, já destruí muitas. Mas eu acho que o verdadeiro lado bom foi substituir o forte cheiro de tinta – nosso escritório tinha sido pintado na sexta à tarde – pelo cheiro de queimado que invadiu a casa inteira. Pelo menos deu uma movimentada na atmosfera.

3 comentários:

Angela disse...

de algebra abstrata quando estava na faculdade. Pois entao, acordei de madrugada por alguma razao, e assim que abri os olhos veio me a resposta: OS OVOS! Tinha simplesmente esquecido de adiciona-los. Como os problemas de hoje em dia sao diferentes dos de entao, mas modo louco que a minha caixola funciona continua o mesmo!

Angela disse...

Ih, o comentario anterior parece que nem funcionou. Volto outro dia! Beijao!!!

Anônimo disse...

Cacacaca...Gente, voltei hoje ao trabalho depois de 1 mês de férias... aí já viu, não tive como evitar, minha florzinha toda apegada comigo, só quer saber de mamãe, mamãe, daí vim trabalhar toda jururu, e continuei jururu por aqui, até que pensei, deixa eu ir no blog da minha amiga Rita, então comecei a ler e mudei meu humor, mas neste post aqui, quase dei gargalhada aqui na sala. Oh, Rita, sei q os biscoitos foram pelos ares, mas muito engraçada sua narração. Adoro!
Agora você Ângela, lembro muito bem suas histórias de acordar no meio da noite com a solução de algébra abstrata, ou qq outra álgebra ou "cadeira" da vida na faculdade...
beijos,
Ju

 
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