A little bit of poetry



Lebram dela? Ainda ilumina nossa sala, sem cobrar nada, linda. Eu acho que ela gosta de nossas crianças e se alimenta das gargalhadas e gritarias. Passa o dia olhando o vai-e-vem de carrinhos e as pilhas de lego. E apesar de algumas flores já terem cumprido toda a jornada, o conjunto ainda é majestoso.

Por ela, em gratidão pela companhia, um poeminha cheio de ácaro, mas bem lindinho.
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Sugestão (Cecilia Meireles)

Sede assim — qualquer coisa
serena, isenta, fiel.

Flor que se cumpre,
sem pergunta.

Onda que se esforça,
por exercício desinteressado.

Lua que envolve igualmente
os noivos abraçados
e os soldados já frios.

Também como este ar da noite:
sussurrante de silêncios,
cheio de nascimentos e pétalas.

Igual à pedra detida,
sustentando seu demorado destino.
E à nuvem, leve e bela,
vivendo de nunca chegar a ser.

À cigarra, queimando-se em música,
ao camelo que mastiga sua longa solidão,
ao pássaro que procura o fim do mundo,
ao boi que vai com inocência para a morte.

Sede assim qualquer coisa
serena, isenta, fiel.

Não como o resto dos homens.

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