Amamentar, se der (Parte 2)


A criança na foto que abre o último post é a minha filha mais nova. O leite em sua mamadeira é meu, o precioso leite materno. A foto registra um momento que, tão logo me descobri grávida pela segunda vez, tive certeza de que não viveria. A situação agora era bem diferente, pois eu já tinha a experiência adquirida com meu primeiro filho em nosso início tão difícil e, portanto, minha filha não precisaria de mamadeiras.

Durante certo tempo acreditei que o descompasso no início da amamentação de meu primogênito tinha alguma relação com o fato de eu somente ter oferecido o peito pela primeira vez horas depois do parto. Devo ter lido alguma coisa sobre a importância da amamentação imediata, logo na primeira hora de vida. Combinado, então: minha menina mal nasceria e já seria apresentada à sua primeira refeição. Além disso, adotei todos os truques de dieta para aumentar a produção de leite já na gravidez. Não faltaria leite dessa vez.

Bom, minha filha nasceu e mamou. Pegou o peito com relativa facilidade e se entregou à sua tarefinha com abnegação exemplar. À primeira ameaça do empedramento, lancei mão da massagem salvadora e fiquei bem – às vezes experiência é tudo nessa vida, viu? Tudo estava bem, ou assim eu achava, até que no sétimo dia de vida, ela desistiu de sugar o vento. Porque ela sugava, sugava, sugava e não comia praticamente nada. Eu quase não tinha leite. Toda a abundância do terceiro dia estranhamente se converteu em uma fonte limitadíssima e meus seios não produziam mais do que parcos mililitros que nem chegavam a arranhar a fome da minha pequena.

Eu já disse em algum lugar deste blog que nada falta a quem tem amigos. Sendo assim, minha irmã de coração, Anginha, catedrática em amamentações difíceis, socorreu-me com a dica que garantiu à minha filhota sete meses de amamentação exclusiva. Em meio ao desespero que foi a segunda semana de vida de Cachinhos Dourados, Ângela me sugeriu que eu lançasse mão de uma boa bombinha de extração de leite para estimular minha produção – a essas alturas, Cachinhos já saciava sua fome com Nan, sem muita hesitação dessa vez. Mas a presença do Nan durou apenas o tempo necessário para a maravilha da Medela chegar pelo correio (vale a pena conhecer: http://www.medela.us/) e a minha produção deslanchar ao ponto de eu estocar leite materno na geladeira suficiente para outra boquinha. A bombinha da Medela também me salvou de uma tendinite, já que depois que Cachinhos desistiu de mamar no seio, eu passei a extrair o leite manualmente a cada três horas, a despeito da dor no cotovelo causada pela repetição do movimento, numa tentativa desesperada de não deixar meu leite secar, não ainda.

Amigas

Cachinhos não voltou a mamar diretamente no peito – como culpá-la, depois de tanto esforço em vão na primeira semana? Mas eu não me preocupei com isso, ser a mãe perfeita não está em meus planos. Eu sei que fiz o melhor que pude por ela, e isso, sim, está nos meus planos. Durante sete meses, eu usei a bombinha para extrair meu leite com religiosa regularidade, a cada três horas, e a alimentei com mamadeiras cheias de anticorpos. A ironia é que só então entendi que, por razões que vão além de minha compreensão, eu era uma boa vaquinha pela manhã, mas produzia muito pouco leite à noite. Ring a bell? Isso mesmo, o mesmíssimo padrão que meu corpo seguiu quando amamentei meu filho. Só que agora isso não era um problema, porque eu sempre tinha leite estocado na geladeira (ela não conseguia, em uma só mamada, dar cabo dos 300ml que eu extraía todas as manhãs). Ou seja, se eu tivesse usado a bombinha da Medela (ou outra similar) na primeira amamentação, meu filho não teria precisado do Nan. Vivendo e aprendendo. No 15º filho, amamentarei por dois anos! Brincadeirinha, fechei a fábrica.

Guardo minha bombinha com carinho. Ela está à disposição das minhas amigas leiteiras que venham a precisar de uma mãozinha para acertar o passo. Sem culpas. Mamadeiras não são monstros e nem toda bombinha seca o leite. Palavra.

4 comentários:

Angela disse...

Fiquei emocionada.
Ja tentei comentar varias vezes esse seu post, mas sempre vira livro, ai apago e vou me embora...
Rita, minhas duas experiencias de amamentacao tem sido completamente opostas, nos minimos detalhes.
Fui De: desmamar 12 vezes ao dia com intervalos de 45 minutos entre um ritual (peito com "shield" de silicone - mamadeira - bombinha - esterilizacao) e outro
Para: dar de mamar 20-40 minutos, 6-8 vezes ao dia sem ritual nem apetrechos nenum.
De zumbi leiteiro para a condenada sorrindo sentada (pra falar a verdade, deitada) nas nuvens.
De um nene que so queria a mamadeira e chorava no peito pq o leite demorava a descer, para a nene que fez greve de fome e chorou estrondosamente por duas semanas quando voltei ao trabalho por que nao queria a mamadeira.
De ficar acordada a noite toda no ritual ja mencionado, para acordar o bebe a noite toda para beber o leite que ela me programou a produzir nas semanas que fez greve de fome durante o dia.
Da mae que so dava formula enquanto o leite voltava e por que era o jeito, para a mae que fez questao de dar formula para a bebe se acostumar com o gosto, caso acontecesse algo (doenca, remedios, etc...) que impedisse a Jujuba de mamar.
A unica coisa que permaneceu constante, foram meus encontros com a Dona Medela, duas vezes ao dia no meu local de trabalho, entre a leitura de emails no palm e os pensamentos em volta da docura da minha nene.
Entao, para disfarcar o livro... vou continuar o comentaro no teu outro artigo :) Um beijao para voce, super mamae!

Anônimo disse...

Ai, ai, ai, ler esses seus belos posts sobre amamentação me fez relembrar a minha experiência, que graças as dicas de voces duas (Rita e Ângela) e a D. Medela consegui amamentar pelo menos até o oitavo mês a minha princesinha, ela que se recusou e não quis mais... porém fiquei um tanto frustrado com o meu resultado, pois queria amamentar por mais tempo e também com exclusividade, fiz uso de complemento, o temido e adorado nan...
Sempre ficava e fico me perguntando porque, pq nao consegui, pois queria ter sido como a minha amada mãe, que nos amamentou, somos 4 irmãos, com exclusividade no peito, e pasmem, nunca usamos mamadeira, pois era do peito já para o copo. Também, meu irmão, mamou até mais de 4 anos, quando minha mãe engravidou da minha irmã, que por sua vez mamou até mais de 3 anos. Eu, mamei até os 2 anos, quando ela engravidou da minha irmã caçula, que também mamou até mais de 2 anos... Então eu achava que como filha de uma legítima produtora de leite, também seria assim, mas... Daí fico pensando que a questão está no nosso novo modo de vida, da mulher moderna, com 1001 atribuições, será? minha mãe, apesar de 1001 atribuições, mas eram tarefas dométicas. Será que é isso?
Beijos,
Ju

Anônimo disse...

Rita, muito lindo o seu site, adorei os textos e a tua sinceridade, que ajuda a diminuir o fardo de não conseguir amamentar. Meu príncipe tem um mês e meio, mas chora toda vez que vem ao seio.... Não gosta, não quer.... Ao leu teu texto, resolvi alugar uma bombinha dessas, mas meu pediatra me jura que o leite vai secar, se ele não mamar direto ao peito, vc teve algum problema em relação à isso? Obrigado

Rita disse...

Anônimo, acredito que é preciso descobrir o que está fazendo seu bebê chorar quando vai ao seio. A minha filha chorava muito, rejeitava meu peito porque depois de cerca de dez dias tentando mamar, ela entendeu que não havia nada ali. Eu praticamente não tinha leite. Como ela parou de mamar, a falta de estimulação certamente interromperia a produção de vez. Por isso comprei a bombinha para estimular e manter a produção e passei a oferecer o leite que eu retirava na mamadeira. No seu caso, não sei se há leite suficiente; pode ser que seu bebê mame pouco porque seu leite é pouco e esteja com fome (não se desespere, tudo se acerta), mas é preciso descobrir a causa do choro. Talvez você já esteja produzindo leite suficiente e a causa do choro seja outra. O meu filho mais velho tomou leite materno direto no peito e complemento na mamadeira (porque secava minhas duas mamas e continuava pedindo mais) e nunca largou o peito. Já minha filha largou o peito sem nunca ter posto uma mamadeira na boca, com dez dias de vida, simplesmente se recusava a pegar o peito. Cheguei a ficar DUAS horas me contorcendo com ela nos braços, aos berros, para que ela aceitasse abocanhar meu mamilo e não consegui. Foi quando adotei a bombinha e tudo se resolveu: meu leite aumentou MUUUITO, estoquei leite materno na geladeira a amamentei exclusivamente com ele por sete lindos meses. Ela ficou fofa, linda e cheia de saúde. Converse com seu pediatra; ele provavelmente quer que você mantenha a amamentação por saber que seu leite é o melhor para seu filho, como você bem sabe. Mas sou a prova viva de que a bombinha da medella não seca o leite. Seu processo de sucção simula os movimentos da sucção do bebê e se você fizer retiradas a cada duas ou três horas, logo estará cheia de leite que pode oferecer ao seu filho na mamadeira (minha amiga fez o mesmo com sucesso). Com leite farto, a mamada pode ficar mais fácil e ele, quem sabe, segue mamando em seu peito. Cada caso é um caso, querida, espero que você consiga se acertar com seu pequeno e que não precise interromper a amamentação. Se quiser trocar mais ideias, podemos nos comunicar por e-mail: estradaanil@gmail.com.

Boa sorte e obrigada pela visita ao blog. Seja muito bem vinda!

Um abraço,
Rita

 
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