Um empurrãozinho

Antes de ter filhos eu não entendia como se ama uma criança adotada da mesma maneira que se ama um filho biológico. Achava eu que, caso viesse a considerar a possibilidade de adotar alguém, teria de fazê-lo antes de gerar meus próprios filhos e assim evitar comparações em relação à “intensidade” do amor. Tola, eu. Não sabia que, ao deitar meus olhos no meu primeiro filho no momento do parto, eu imediatamente cairia de amores por todas as crianças do mundo.

É bem verdade que eu já era “manteiga derretida” antes de ter filhos. Os meus coleguinhas de escola que me tratavam por esse carinhoso apelido tinham bem suas razões. Sou chorona sim, emociono-me com cenas melosas, finais de copa do mundo, filhotinhos de pinguins e até discursos de presidentes eleitos, vejam vocês. Mas nada antes do nascimento do meu primeiro bebê tinha me preparado para a presença constante da sensação de que o mundo é um lugar onde se chora. Porque depois que meu filho respirou pela primeira vez eu me tornei uma pessoa apavorada diante das misérias do mundo.

A partir daquele dia, e à medida que eu me apaixonava mais e mais por meu filho, a criança com fome lá na ponta daquela ruela, daquela parte da cidade onde eu nunca vou, passou a ser uma criança que também tem uma mãe que sente por ela algo semelhante ao que eu sinto pelos meus filhos; e não importa se essa impressão é equivocada, se, na verdade, muitas mães carecem de um amor incondicional por seus rebentos. Não importa. Nada no ambiente que cerca uma criança recém-nascida deveria mudar o fato de que ela é merecedora de amor, cuidados e chances semelhantes às de milhões de crianças sortudas.

Quando eu olho nos olhos da minha pequena menina e vejo a alegria com que ela se relaciona com o mundinho dela todos os dias, muitas vezes penso na dor com que outras tantas meninas se relacionam com o mundinho delas. Porque todas as crianças são iguais, todas querem descobrir, brincar, gritar (às vezes elas querem abusar um pouquinho, é verdade, mas isso é outro papo), mas nenhuma quer experimentar a dor.

Daí que eu também passei a olhar com mais atenção para o trabalho de voluntários e entidades que se mexem um pouquinho (às vezes se mexem bem) para alterar a realidade de muitas crianças iguais aos meus filhos, mas com muito menos sorte. Então quando uma amiga muito querida me falou do Action Aid, que se define como “uma organização internacional, sem fins lucrativos, que há 35 anos trabalha com comunidades excluídas ao redor do mundo”, dispus-me a estudar o site deles com carinho (http://www.mudeumavida.org.br/index.asp) e contatei minha amiga pra saber mais detalhes sobre a forma como os fundos angariados são empregados, além de outras pequenas dúvidas. E de cara resolvi divulgar a idéia por aqui.

As maneiras de distribuir amor às crianças sofridas mundo afora são muitas. Alguns acolhem e os transformam em filhos, num gesto de amor infinito. Mas também podemos cuidar do planeta onde elas moram, educar as nossas crianças para que sigam construindo um mundo mais justo e menos perverso, dizer não à violência, denunciar o abandono, gerar empregos. E também há o trabalho de instituições como o Action Aid.

Se alguém que passar por aqui tiver algum interesse em entrar em contato com minha amiga engajada, terei prazer em fazer a ponte. Ela está atualmente trabalhando como voluntária no Action Aid e, portanto, está “por dentro” desse interessante “babado”. :-)

1 comentários:

larissa disse...

Bem, se comover com tudo não muda o mundo, mas é o primeiro passo. Também sou assim e me deparo sem fazer nada, por isso é bom ler alguma coisa assim. Acho que as pessoas se acostumam a ver as barbaridades e mesmo assim não se engajar,de ver tantas crianças sofridas a gente esquece que existem muitas formas de mudar pelo menos uma vida.

 
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