Ondas, franceses e vasilhas

Então, como eu ia dizendo, andei lendo umas coisinhas esses dias. Confesso que fui fisgada por apelos como “clássico moderno” e por comparações que colocam o australiano Tim Winton lado a lado com figurões consagrados da literatura mundial, e resolvi mergulhar em Fôlego. De fato, a primeira metade do romance é bem, digamos, cativante e me encheu de expectativas. Mas daí... não sei se por já estar cheia de expectativas demais (aquelas geradas pela crítica e outras geradas pelo ótimo início do romance), o fato é que me senti um pouco desapontada por um certo abandono que o autor faz de algumas personagens na reta final da história. Ainda assim, recomendo. A releitura que o protagonista faz de sua infância, o retrato da solidão inevitável experimentada por quem busca o extraordinário, as relações conflitantes com o amigo/rival Loonie, a descoberta da felicidade sobre uma prancha ou nos braços da improvável namorada, fazem a leitura valer a pena. E se você é amante do surfe, gosta de nadar com tubarões e/ou de permanecer no fundo do rio com a respiração suspensa até o limite do suportável pelo simples prazer do desafio, não pode deixar de dar uma conferida. O mesmo se aplica aos interessados em joguinhos psicológicos igualmente perigosos.


Mas eis que eu já tinha terminado de ler Fôlego quando descobri que ficaria de castigo por três horas em Guarulhos. Àquelas alturas eu não aguentava mais fazer palavras cruzadas e não tinha levado o laptop. Então lá fui eu, inevitavelmente, rumo à combinação lanche/banca a fim de abastecer o estômago e a cabeça para o chá de cadeira. Daí O Mundo é Bárbaro – e o que nós temos a ver com isso, de Luis Fernando Veríssimo, me acenou e gritou “Me! Pick me!”. Então, tá. Vamos ver. Ah, que boa surpresa. Não que eu esperasse algo ruim do Veríssimo, não, mas comprei assim, meio desinteressada, sabe? Enfadada da viagem, a fim de chegar em casa e apertar as bochechas dos pequenos. Mas, enfim, o fato é que comprei (ainda bem) e nem vi mais o tempo passar; fiz até pouco caso da pequena turbulência que nos esperava logo na saída de Guarulhos porque só larguei as crônicas (quase todas) deliciosas quando tocamos o chão de Floripa. Recomendo mesmo, às vezes rir é tudo que nos resta. Um pedacinho pra vocês (com licença, Veríssimo): “Como seria se os franceses tivessem conseguido consolidar sua colonização subequatorial por aqui? (...) Talvez fôssemos corruptos do mesmo jeito, já que deve ser alguma coisa na água. Mas as conversas grampeadas seriam em francês! Quer dizer, uma coisa de outro nível.” Eheheh... (Ah, vai, Marina, é engraçado!)

Ah, e alguém aí sabe o que cargas d’água é “vasilha de tanoaria em forma de pipa”, com sete letras? Ô raio de palavra cruzada difícil, viu!

4 comentários:

Anônimo disse...

Que bom que voce voltou.
Estava com saudades...
Fique com vontade de ler o livro do Verissimo.
Folego me pareceu meio ofegante.
:-)
Beijo,
Marcia

Anônimo disse...

A tanoaria é ofício de construir pipas e barris de madeira para acondicionar vinhos, aguardentes e outros líquidos. Acho que a palavra de 7 letras pode ser "barrica". Bjs, Ulisses

Anônimo disse...

Oi, Cunhadaaaaa!!!

Seguinte: Dias atrás (ou semanas, nem sei mais... o tempo é de uma velocidade!...) recebi do Uli a indicação do seu Blog. Li no dia e, de cara, achei bacana, mas tava meio "na pressa" e deixei prá "conversar" um pouquinho depois!

AÍÍÍÍÍÍ, DEPOOOOIS (Leia-se HOJE), encontro-me "de castigo" em Recife, aguardando PA-CI-EN-TE-MEN-TE (exercícios recentes e infindáveis desta virtude - nada como sublimar o espírito, kkkkkk) algumas colorações de minha pesquisa ficarem prontas, e resolvo olhar os e-mails, ver as notícias, enfim...

Daí penso: "EITA (mais "paraibex", impossível, né?), VOU VER DE NOVO O BLOG DA RITAAAAAAA!

Então vamos nós: hoje tem mais novidades, mais fotos (eu tinha visto só a do "umbigo/alvo/disco-voador/sei-lá-mais-quê/pudim-feinho-mas-saboroso.. kkkkk... prá trás.... rs...), e tá até incrementado com dicas culturais (Eu tb achei a mulher invisível muuuuuuuito legal - de fato, o Selton está demais! Mas, fala sério, o roteiro tb tem sua vez... rs... a perspectiva "masculina´" de mulher ideal é uma viagem, né - faxina de lingerie e suquinho de tomate temperado com vodka é o fino... kkkkkkkkkkkk)!!! Gostei!

Agora, voltando às fotos...

Ahhhhhhhhhh, eu conheço aquele morro... Mas, acima de tudo, acho que conheço aquela boneca.. rs.. rs. rs.. Será? VIA DAS DÚVIDAS, ABRAÇO NA BONECA DE PANO E UM SUUUUUPER ABRAÇO NOS BONECOS DE VERDADE QUE VC TEM EM CASA, TÁ? Vc e o Uli podem tirar uma casquinha do abraço também!

De vez em quando vou dar um "cheguinho" por aqui. Se tiver problemas para mandar um recado (veja como este foi resumido... :P ), vou aguardar as suas providências para resolver a pendenga em NO MÁXIMO 72 horas (também não resisti... :-) )!!!

Bjus, cunhada!!!

Lili

Rita disse...

Oi, Lilian!! Que delícia você por aqui! Volte muitas, muitas outras vezes, será sempre um prazer enorme ler seus comentários!! Ah, e não podemos esquecer das suas receitinhas divinas que pretendo "tomar emprestadas" todas, todas, todas... eheheh Mas seeempre com os devidos créditos, importante... saudades, menina! beijos no seu filhote (quero vê-lo aqui também!!)

 
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