A balada da sexta

Os planos eram fazer bombons de morango. Mas depois que os filhos chegam, as nossas vontades nem sempre se transformam em atos. Mas não devo reclamar porque aquela era mesmo uma grande noite para a minha vontade mais nova, a de um ano e oito meses.

Sexta-feira foi o dia em que o berço que por quatro anos teve o privilégio de acolher os sonhos de nossos pequenos foi desmontado para dar lugar a uma caminha branca. Alguns indícios apontavam para a necessidade de aposentá-lo já que ele parecia, digamos, encolhido. É bem verdade que o forte cheiro de cama nova, recém-montada, impediu a inauguração imediata e a pequena teve mesmo de dormir na cama do generoso irmão. Mas não deixou de ser um evento.

Admito que lá pelas onze horas da noite – a saga começou por volta das nove – eu quase perdi a paciência (pelo bem de eventuais leitores, esta é uma versão reduzida da história, foram várias idas-e-vindas-levanta-volta-pra-cama), mas respirei fundo e me entreguei à tarefa de acalantar minha menina e apresentá-la suavemente àquela nova modalidade de dormida. A certa altura, após 67 músicas de ninar e 980 balançadas na cadeira, eu estava a ponto de descer e montar o berço novamente (leia-se pedir para o marido montar), mas o peso da cabecinha loira e a respiração ressonante me mostraram que Morfeu chegara, finalmente. É claro que não foi assim tão fácil, porque bastou depositá-la na cama do irmão para um par de olhos enormes brilhar e fazer meu coração suspender as batidas... mas voltou a dormir, enfim (ou desmaiar de cansaço, não sei ao certo), embrulhada nos lençóis cheirando ao mano. Too much for Friday night.

Pudemos então levar o mano adormecido em nossa cama (a vontade de quatro anos) para a caminha de apoio ao lado da irmã para que nos sonhos pudessem brincar juntos (e brigar só um pouquinho). Sei que por algumas semanas vou me perguntar muitas vezes se a mudança não foi antecipada. Talvez a tentação de montar o berço aumente e eu invente uma manobrinha inocente pra tentar adiar o inevitável fato de que eles crescem. É que não ter mais berço em casa parece muito com não ter mais bebês. Mas já?

Onde está mesmo aquela caixa de ferramentas?

* * *

Os bombons? Fiz no sábado.

2 comentários:

Angela disse...

Ai amiga, ha cerca de um mes atras tirei a Julia da bassinet, pois nao cabia mais. Fiquei arrasada. Ta crescendo rapido! Mas com relacao a Amandinha, antecipado, nao acho que foi. Max tive que mudar para a cama com a mesma idade, pois era pulador de berco, lembras? Ficou dificil a hora do sono pois ele so queria ficar pulando em cima dela, sem parar. E quando batia o sono, ia para um cantinho no chao entre a porta e a estante e dormia parecendo um gatinho agarrado com os trocentos cobertores. Mas e a Amandinha, ta dormindo na cama? Em cima ou embaixo? :D

Rita disse...

Oi, Anginha. Tá dormindo em cima, viu? Uma mocinha, minha pequena. Se lembro do teu gatinho pulador de berços? Ô, e como lembro...

 
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