Words & scenes
Sempre piso em ovos ao comparar livros com as respectivas adaptações para o cinema. Na medida em que são linguagens e formatos bem diferentes, acho que a comparação sempre corre sérios riscos de perder o sentido. Dizer que o livro é melhor que o filme pode dar a impressão de que eu esperaria ver no filme cada detalhe explorado ao longo de uma história bem escrita, o que, obviamente, é praticamente impossível dentro do tempo de um longa. Quando um roteirista seleciona os elementos de um romance para a montagem de um roteiro cinematográfico, faz o recorte necessário para viabilizar a adaptação, naturalmente. O sucesso da montagem depende não só da coerência nessa seleção, mas também de vários fatores relacionados à produção do filme que pouco ou nada tem a ver com o diálogo livro-roteiro. E não raro a adição de elementos que nem fazem parte do texto escrito originalmente geram no cinema um efeito muito eficiente. É claro que a gente compara, tudo bem. Eu comparo, tu comparas, todos comparamos. Se um livro que amo ganha adaptação para o cinema, corro pra ver. Mas tenho em mente que se digo "prefiro o livro", quero dizer que a história tal me agradou mais em seu formato literário e menos no formato que ganhou no cinema nas mãos desse ou daquele diretor. Não quero dizer que o filme falhou em sua adaptação, mas simplesmente que o filme em si não me agradou, como vários outros filmes de roteiro original também não me agradam. O contrário, claro, também pode acontecer. Posso curtir muito um filme sem que tenha sequer me empolgado com a obra na qual foi inspirado. É o caso de Os Homens Que Não Amavam As Mulheres.
Ontem fui ao cinema ver a adaptação do primeiro volume da Trilogia Millenium, do falecido escritor sueco Stieg Larsson, dirigida por David Fincher (que fez Seven, então tem meu respeito eterno). E, olha, não pisquei. Tudo bem, fechei os olhos numas cenas mais violentas porque não dou conta. No mais, achei o thriller bem saboroso. Todos os elementos que me deixaram com sono ao ler o livro (eu sei, eu sei) sumiram. Nas mãos de um elenco bem afiadinho (uau, Lisbeth-Rooney Mara-Salander!) e de um diretor que sabe das coisas, pude curtir o que, na minha opinião, a história tem de melhor, sem ficar rezando para que outra repetição enfadonha terminasse. Curti inclusive a sequência final. Lembro-me que, lendo o livro, passada a resolução do mistério central da história, eu praticamente não tinha mais paciência. No filme, no entanto, nem me dei conta que já estava sentada ali há quase três horas.
Uma das coisas que mais curti no filme foi ver o cenário da ilha onde se passa parte da história. Eles arrancaram as imagens de dentro das páginas do livro. Nota um milhão para a ambientação. Foi como reler as descrições na parte inicial do livro. Show de bola. Num cinema perto de você.
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Se as imagens do filme de David Fincher me empolgaram mais que o livro de Larsson, o mesmo não posso dizer do post sobre a Escócia (adorei escrever, um jeitinho bom de reviver um pouco daqueles dias folgados). Atendendo aos milhares (cof cof) de pedidos dos leitores deste bloguito, desenterrei meu álbum de 1998 (gente...) e descobri algumas coisas: as 30 fotos da Escócia, são, na verdade, 90. Dessas, talvez 9 tenham uma qualidade razoável. Minha velha Kodak, falecida no alto da Serra do Rio do Rastro, no interior de Santa Catarina, no ano seguinte, deu tudo de si, acredito. Mas nada do que ela pudesse fazer chegava perto da qualidade das fotos digitais de hoje em dia. Então, uma foto "linda" em 1998 hoje é "oi?". (Tão bom colocar a culpa na máquina, não me julguem.) Além disso, em várias das fotos que eu consideraria publicáveis aqui, apareço ao lado de meus companheiros de viagem. Como não faço a mínima ideia de como se sentiriam vendo seus rostos desfilando na internet sem autorização, deixemos essas de lado. Mas de tudo, a maior descoberta (na verdade, uma lembrança renovada) foi: quinze anos atrás, eu tinha muito, muito, muito cabelo. Muito. Seja como for, para não dizer que não atendo pedidos insistentes dos meus queridos e pacientes leitores, aí está.
Eu e o Lago Ness (corto relações com quem disser "olha aí, o monstro").
A brincadeira é dizer onde termina o chão e começa a montanha e onde esta termina e começa o céu. Lhamas? Renas? Whatever.
Eu e meu cabelo aos pés do Castelo de Edimburgo.
On the road.
Ovelhinhas fofas.
Ruínas de um castelo qualquer, ex-casa de um pessoal que tinha uma bela vista.
O pessoal que viajou comigo. Tudo bem, o baixinho de branco não viajou.
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O cinema é nosso caminho da roça e nada nos faltará. Daí fui ver Os Descendentes. Ah, a expectativa, essa pregadora de peças. Gostei não. Mas vale pela corridinha desengonçada do Clooney, vejam lá.
Na tarde de domingo levamos as crianças para ver Tintin. Olha. No site que consultei tá lá: censura livre. Eu tinha visto o trailler com perseguições malucas a la Alladin no mercado e um cachorrinho fofo que deixou Amanda toda assanhada. O que vimos no filme? Armas em punho, um personagem que morre METRALHADO e cai sangrando, lutas de piratas assustadores e um tanto bom de cenas violentas. Censura 10 anos, tá lá no panfleto. Verifiquem a classificação indicativa do filme. Verifiquem bem verificadinho. Na dúvida, não levem as crianças. Ódio.
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